Natural de Sapé, nascido em 20 de março de 1920, embora em sua certidão conste o dia 21 como a data oficial; filho de Adelino José Bezerra e de Maria Alves Viégas. Chegou em Santa Rita aos sete anos de idade, vindo da cidade do Recife, juntamente com os seus pais. Em Sapé, residiu na antiga rua Nova, onde também funcionou a antiga cadeia pública na casa da sua avó Dna Dondon.
Antonio Alves Bezerra era o seu verdadeiro nome. Viégas era nome de guerra, advindo de sua mãe. E mesmo com a idade já bem avançada, era dotado de uma memoria espetacular; lembrava de detalhes de sua vida e da história de nossa cidade, o que levou o escritor Marcos Odilon Ribeiro Coutinho, em uma de suas matérias escritas para os jornais, o denominar de "Enciclopédia Ambulante". Eu não tinha duvidas, de que quando o tema era a nossa pequena Santa Rita, Sr. Viégas sabia com riquezas de detalhes tudo sobre o lugar. Após o seu falecimento em 21 de março de 2013, vasculhando os seus pertences encontrei além de diversas fotografias, diversos escritos onde ele fez constar de forma simples, a história da família santa-ritense. Sempre a noite, o via debruçado sobre a mesa de jantar com caderno e caneta na mão. E era perceptível a sua preocupação ao perceber a aproximação de qualquer pessoa; ele sempre dava um jeitinho de se esquivar, parecia que era o seu desejo causar surpresa aos que ficariam neste mundo.
Em seus cadernos de memorias ele cita por nome diversos personagens que fizeram parte de sua historia, a exemplo de sua primeira professora, Dna Maroca. Lembra-se bem da localização da escola onde estudou, "do outro lado da linha do trem". Lembra-se de uma senhora conhecida por Dna. Conceição Louceira, sua vizinha, na primeira casa onde moraram na Rua São João.
Sr. Francisco, mas conhecido por Francisco Baiá, o qual morava na Rua do Cantinho, foi o seu educador quando ele ainda tinha seis anos, logo quando chegaram a Santa Rita. Zé Punaré era o apelido de um outro professor, tinha esse apelido por que tinha medo de ratos.Cita ainda a escola da Dna. Maria das Neves; Professor João Paiva e por fim, o Professor Luiz Soares de quem eu o ouvia falar muito e de quem eu ainda guardo uma vaga lembrança, eu o chamava de avô.
Durante muitos anos trabalhou como sapateiro com o Sr. Adelino, seu pai, com a morte dele veio a ideia de mudar de ramo, foi aí que começou a experimentar a vida de fotografo, e deu certo, permaneceu no ramo durante mais de três décadas só deixando após a sua aposentadoria. Como fotografo registrou os bons momentos das famílias de nossa cidade. Casamentos, batizados, aniversários, politica, esporte, carnavais e tantos outros eventos foram captados por sua lentes e fazem parte de um acervo que venho procurando resgatar.
Conheci duas grandes paixões do meu pai, uma a fotografia, pela qual se tornou conhecido; a outra era o carnaval. Meu pai era um grande carnavalesco e conjuntamente com outros amigos fazia a festa em Santa Rita, com alegria e maestria. Alguns blocos eram de sua autoria a exemplo dos blocos Racha Peito, Popeye no Frevo, A Feira de Caruarú e Há Jacú na Cidade.
Todas as troças idealizadas por ele tinha uma história. Em seu caderno de memoria ele cita com certo contentamento e demonstra o seu orgulho por ter sido um dos grande foliões que Santa Rita já conheceu.
Bloco Racha Peito, 1959. Esse bloco deu a maior confusão por causa do nome. Todos foram parar na delegacia, intimados e questionados sobre a responsabilidade do nome, todos assumiram a sua culpabilidade. A autoridade policial ordenou que mudassem o nome da troça sob pena de serem recolhidos ao xadrez. Voltaram para a sede e mudaram o tema do bloco e ficou assim: "Não Racha Nada" E de quebra criaram uma musiquinha que dizia assim:
O Povo Dizia
Que o Bloco não Saia
O Bloco Anda na Rua
Com Prazer e Alegria
Olhai Senhores
Senhores Olhai
Venho da Casa da Mãe
Agora vou Pra Casa do Pai.
E o Bloco Saiu!
Nessa época, apesar da irreverencia, as coisas eram tranquilas, não havia grandes confusões o carnaval era de rua ou nos clubes. Havia diversas outras troças, as quais deixarei para um momento oportuno falar sobre elas.
"No Tempo dos Bons Tempos", é assim que Viégas encerra as suas dissertações. Muitas vezes, já depois de sua idade avançada, mas lucido o bastante para relembrar fatos e nomes de pessoas de muitas décadas passadas, eu me detinha a ouvi-lo e o "cutucava", fazia-lhes perguntas no intento de conseguir algumas histórias, e lembro-me bem de uma que ele vez por outra costumava citar. Meu pai tinha uma apreciação especial por duas pessoas politicas, isso era bastante perceptível, uma delas chamava-se João Pessoa,
e para entender o motivo dessa grande paixão nunca me fiz de rogado, enchia-lhes de perguntas, não haveria tanta necessidade assim, se eu soubesse o que ele escrevia em seus cadernos, folheando as suas páginas descobri que quando presidente do nosso estado, momento em que estourou a revolução de Princesa, houve um movimento no estado da Paraíba onde a irmã do Sr. Viégas, Dna Francisquinha Viégas organizou uma comissão de moças, as quais arrecadaram dinheiro e munição e levaram ao Presidente. Na época, com o palácio em reforma, foram atendidos no prédio da União. Meu pai tinha nove anos e foi participativo, acompanhando a essa comissão de moças no empenho de ajudar o então governo. Lembro-me de ter ouvido dele por diversas vezes, que o então Presidente João Pessoa o levantou no colo e sussurrou alguma coisa que a sua memoria não havia guardado (acredito que ele nunca teve o desejo de relatar), isto acendeu um apreço muito grande de meu pai por esse vulto da nossa história, ao ponto de já sem poder andar, quando o Dr. Marcus Odilon Ribeiro Coutinho torna-se prefeito e fazer a reforma da Praça que leva o nome do Presidente João Pessoa, ele ao saber da reforma de pronto perguntou: "O Busto de João Pessoa, ele manteve no lugar?" ao que eu respondi positivamente, e ele continuou, "muito bem, se ele tivesse tirado não seria mais meu amigo" e foi lá ele mesmo inspecionar, apoiado por sua bengala e com a ajuda de uma cuidadora. Foi uma das poucas vezes que saiu de casa após perder as suas habilidades de caminhar sozinho.
Antonio Alves Bezerra era o seu verdadeiro nome. Viégas era nome de guerra, advindo de sua mãe. E mesmo com a idade já bem avançada, era dotado de uma memoria espetacular; lembrava de detalhes de sua vida e da história de nossa cidade, o que levou o escritor Marcos Odilon Ribeiro Coutinho, em uma de suas matérias escritas para os jornais, o denominar de "Enciclopédia Ambulante". Eu não tinha duvidas, de que quando o tema era a nossa pequena Santa Rita, Sr. Viégas sabia com riquezas de detalhes tudo sobre o lugar. Após o seu falecimento em 21 de março de 2013, vasculhando os seus pertences encontrei além de diversas fotografias, diversos escritos onde ele fez constar de forma simples, a história da família santa-ritense. Sempre a noite, o via debruçado sobre a mesa de jantar com caderno e caneta na mão. E era perceptível a sua preocupação ao perceber a aproximação de qualquer pessoa; ele sempre dava um jeitinho de se esquivar, parecia que era o seu desejo causar surpresa aos que ficariam neste mundo.
Em seus cadernos de memorias ele cita por nome diversos personagens que fizeram parte de sua historia, a exemplo de sua primeira professora, Dna Maroca. Lembra-se bem da localização da escola onde estudou, "do outro lado da linha do trem". Lembra-se de uma senhora conhecida por Dna. Conceição Louceira, sua vizinha, na primeira casa onde moraram na Rua São João.
Sr. Francisco, mas conhecido por Francisco Baiá, o qual morava na Rua do Cantinho, foi o seu educador quando ele ainda tinha seis anos, logo quando chegaram a Santa Rita. Zé Punaré era o apelido de um outro professor, tinha esse apelido por que tinha medo de ratos.Cita ainda a escola da Dna. Maria das Neves; Professor João Paiva e por fim, o Professor Luiz Soares de quem eu o ouvia falar muito e de quem eu ainda guardo uma vaga lembrança, eu o chamava de avô.
Durante muitos anos trabalhou como sapateiro com o Sr. Adelino, seu pai, com a morte dele veio a ideia de mudar de ramo, foi aí que começou a experimentar a vida de fotografo, e deu certo, permaneceu no ramo durante mais de três décadas só deixando após a sua aposentadoria. Como fotografo registrou os bons momentos das famílias de nossa cidade. Casamentos, batizados, aniversários, politica, esporte, carnavais e tantos outros eventos foram captados por sua lentes e fazem parte de um acervo que venho procurando resgatar.
Conheci duas grandes paixões do meu pai, uma a fotografia, pela qual se tornou conhecido; a outra era o carnaval. Meu pai era um grande carnavalesco e conjuntamente com outros amigos fazia a festa em Santa Rita, com alegria e maestria. Alguns blocos eram de sua autoria a exemplo dos blocos Racha Peito, Popeye no Frevo, A Feira de Caruarú e Há Jacú na Cidade.
Todas as troças idealizadas por ele tinha uma história. Em seu caderno de memoria ele cita com certo contentamento e demonstra o seu orgulho por ter sido um dos grande foliões que Santa Rita já conheceu.
Bloco Racha Peito, 1959. Esse bloco deu a maior confusão por causa do nome. Todos foram parar na delegacia, intimados e questionados sobre a responsabilidade do nome, todos assumiram a sua culpabilidade. A autoridade policial ordenou que mudassem o nome da troça sob pena de serem recolhidos ao xadrez. Voltaram para a sede e mudaram o tema do bloco e ficou assim: "Não Racha Nada" E de quebra criaram uma musiquinha que dizia assim:
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| Bloco Racha Peito - 1959 |
Que o Bloco não Saia
O Bloco Anda na Rua
Com Prazer e Alegria
Olhai Senhores
Senhores Olhai
Venho da Casa da Mãe
Agora vou Pra Casa do Pai.
E o Bloco Saiu!
Nessa época, apesar da irreverencia, as coisas eram tranquilas, não havia grandes confusões o carnaval era de rua ou nos clubes. Havia diversas outras troças, as quais deixarei para um momento oportuno falar sobre elas.
"No Tempo dos Bons Tempos", é assim que Viégas encerra as suas dissertações. Muitas vezes, já depois de sua idade avançada, mas lucido o bastante para relembrar fatos e nomes de pessoas de muitas décadas passadas, eu me detinha a ouvi-lo e o "cutucava", fazia-lhes perguntas no intento de conseguir algumas histórias, e lembro-me bem de uma que ele vez por outra costumava citar. Meu pai tinha uma apreciação especial por duas pessoas politicas, isso era bastante perceptível, uma delas chamava-se João Pessoa,
e para entender o motivo dessa grande paixão nunca me fiz de rogado, enchia-lhes de perguntas, não haveria tanta necessidade assim, se eu soubesse o que ele escrevia em seus cadernos, folheando as suas páginas descobri que quando presidente do nosso estado, momento em que estourou a revolução de Princesa, houve um movimento no estado da Paraíba onde a irmã do Sr. Viégas, Dna Francisquinha Viégas organizou uma comissão de moças, as quais arrecadaram dinheiro e munição e levaram ao Presidente. Na época, com o palácio em reforma, foram atendidos no prédio da União. Meu pai tinha nove anos e foi participativo, acompanhando a essa comissão de moças no empenho de ajudar o então governo. Lembro-me de ter ouvido dele por diversas vezes, que o então Presidente João Pessoa o levantou no colo e sussurrou alguma coisa que a sua memoria não havia guardado (acredito que ele nunca teve o desejo de relatar), isto acendeu um apreço muito grande de meu pai por esse vulto da nossa história, ao ponto de já sem poder andar, quando o Dr. Marcus Odilon Ribeiro Coutinho torna-se prefeito e fazer a reforma da Praça que leva o nome do Presidente João Pessoa, ele ao saber da reforma de pronto perguntou: "O Busto de João Pessoa, ele manteve no lugar?" ao que eu respondi positivamente, e ele continuou, "muito bem, se ele tivesse tirado não seria mais meu amigo" e foi lá ele mesmo inspecionar, apoiado por sua bengala e com a ajuda de uma cuidadora. Foi uma das poucas vezes que saiu de casa após perder as suas habilidades de caminhar sozinho.
Fidel Alejandro Castro Ruz, líder cubano, primeiro
presidente do Conselho de Estado da República de Cuba. Até 2006 foi primeiro
secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba.
Este ícone da história mundial, foi bastante apreciado pelo Sr. Viégas. Tento compreender o que o levou a desenvolver tamanho apreço, mas não é difícil, meu pai viveu numa época em que as pessoas se agarravam e defendiam seus ideais e, ao menos nos livros, a história da Revolução Cubana denota a valentia e coragem de um homem em defesa da honra de sua pátria e isso meu pai amava.

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4 comentários:
Então o nosso artista da fotografia Antônio Viégas foi aluno do ilustre Professor Francisco Baiá, na antiga rua do Cantinho, atual rua Epitácio Pessoa, centro,Santa Rita. É os seus alunos falaram-me de que ele era um professor enérgico e usava a palmatória ou régua contra alunos indisciplinados.É o tempo da educação x castigos corporais. No Conjunto Paulo VI, em Santa Rita tem uma rua com o nome do Prof. Francisco Baiá.
Um abraço do,
Francisco de Paula Melo Aguiar
Fico muito agradecido pelo acrescimo histórico relacionado ao Professor Francisco mencionado acima, meu pai não havia precisado quem era a pessoa, apenas os detalhes acima foram deixados, agora complementa-se a sua real identidade, e eu lembro muito bem que em suas conversas ele mencionava sim o Professor Francisco Baiá.
Estou anciosa por ler histórias tão interessantes sobre minha cidade, adoro ver fotos antigas. Parabéns por tão importante resgate !
Breve, muito breve darei continuidade a esta pagina, e muito obrigado Cida Borba, continue visitando o blog, sempre que houver novas portagens comunico no face.
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